“São vidas desfeitas por um crime”, diz Ari Friedenbach sobre o assassinato da filha, Liana, que completa 20 anos nesta quarta-feira (1°). A jovem tinha 16 anos quando foi torturada, estuprada e morta por Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha, também com 16 anos na época, e mais quatro homens, em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo.


Em entrevista ao R7, o advogado e ex-vereador da capital paulista relata as consequências da morte da filha em sua vida e na da família. Além da adolescente, Felipe Caffé, de 19 anos, o namorado de Liana, foi morto a tiros por Paulo César da Silva Marques, conhecido como Pernambuco. O casal tinha ido acampar na cidade, mas foi sequestrado pelos criminosos.



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Após o crime, o filho caçula de Ari foi morar fora do país. O avô paterno de Liana morreu um pouco depois da morte da neta, enquanto a avó materna entrou em uma depressão profunda e morreu em decorrência disso. Depois de alguns anos, Ari e a mãe da adolescente se separaram.


“É muito triste. Honestamente, não penso mais nela 24 horas por dia, porque senão eu seria uma pessoa extremamente depressiva, e não é meu caso. Mas quando paro e penso no que aconteceu, e como aconteceu, fico muito triste”, diz Ari.



O crime




Liana mentiu aos pais sobre onde e com quem estava indo na noite do dia 31 de outubro de 2003. A jovem disse que iria para Ilhabela, no litoral paulista, com os colegas da Congregação Israelita Paulista. No entanto, Liana e Felipe teriam dormido no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), na avenida Paulista, e seguido viagem para Embu-Guaçu na manhã do dia 1° de novembro.


Ari conta que sempre foi muito cuidadoso e preocupado com os filhos e, por isso, se surpreende que um crime tão bárbaro tenha acontecido com sua filha. “Eu e a Liana tínhamos um contato muito frequente o tempo todo. Quando ela saía, ela chegava e já me ligava”.


O casal iria acampar em um sítio abandonado, mas antes de chegar ao local pelas estradas da região, cruzou com Champinha e Pernambuco. A abordagem começou com uma tentativa de roubo que, rapidamente, se transformou em um sequestro.


Felipe foi preso e amarrado em um quarto, da onde conseguia escutar os gritos da namorada, que era estuprada por Champinha e pelos outros quatro adultos em um cômodo ao lado. O jovem foi assassinado pouco tempo depois, e Liana foi torturada por cinco dias até ser morta a facadas.



Condenações




O crime chocou o país. Os quatro adultos envolvidos foram julgados e condenados. Pernambuco recebeu uma pena de 110 anos de prisão e permanece em regime fechado, enquanto Antonio Caetano Silva foi sentenciado a 124 anos de cadeia, mas cumpre a pena em regime aberto desde 2020.


Antonio Matias, outro envolvido no crime, foi condenado a seis anos de prisão, mas, em 2009, recebeu um indulto e está livre. Agnaldo Pires, o quarto culpado, foi condenado a 47 anos de prisão, mas está em liberdade desde 2016.


Para Ari, as penas foram aplicadas com rigor, mas o pai de Liana acredita que alguns dos culpados tiveram benefícios dos quais discorda. “Como alguém que é condenado a 47 anos já pode estar em liberdade? Isso eu acho uma grande mentira para a população, porque a pessoa já é colocada em liberdade em dez anos. É um tapa na cara.”


Condenação de Champinha


Por ser menor de idade na época dos assassinatos, Champinha não foi condenado pela Justiça como os demais. A ele foi aplicada a penalidade máxima prevista no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que determina, em caso de atos infracionais graves, a internação de no máximo três anos em uma unidade específica para menores de 18 anos.



Passado esse período, porém, o Ministério Público pediu sua interdição civil. Considerado sem capacidade psicológica para conviver em sociedade, por sofrer de transtornos mentais e desvio de caráter, a Justiça acatou o pedido do MP e Champinha foi encaminhado para a UES (Unidade Experimental de Saúde), administrada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. 


O pai de Liana não acredita que Champinha deva ser posto em liberdade. Entretanto, afirma que ele já cumpriu o suficiente. “Acho que ele tem que ter outro encaminhamento”. 


*Sob supervisão de Fabíola Glenia


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