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Home»Brasil»“Escolas sem paredes” buscam garantir educação em Gaza
Brasil

“Escolas sem paredes” buscam garantir educação em Gaza

adminBy adminNovembro 2, 2024Sem comentários4 Mins Read
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Em meio a escombros, em tendas improvisadas nas ruas, equipes de professores tentam juntar crianças e adolescentes em Gaza para tentar garantir não apenas o direito à educação, mas também para oferecer apoio psicossocial e, diante de tantas mortes, tentar lembrá-los da própria humanidade. Este é o trabalho do Centro de Criatividade para Professores, organização palestina sem fins lucrativos.

O diretor geral da organização, Refaat Sabbah, esteve em Fortaleza, na Reunião Global de Educação e conversou com a reportagem da Agência Brasil: “educação não é apenas ensinar o estudante a ler e escrever, é também ensiná-lo sobre a vida, em meio a crise”. 

“É também ensiná-los a lidar com problemas sociais porque, no mundo, as pessoas se tornam egoístas e, às vezes, perdem a solidariedade. Eu posso te afirmar, não há educação sem uma clara e sólida definição do que é ser um ser humano.”

Desde o início da guerra na faixa de Gaza, Israel matou mais de 43 mil palestinos, sendo que quase 19 mil são crianças, de acordo com a Federação Palestina no Brasil. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), até meados de outubro, 1,9 milhão de pessoas, correspondente a 91% da população de Gaza, precisou se deslocar dentro do próprio território.

“Às vezes eu penso que estou em um pesadelo. Que não é realidade. De manhã, eu acordo e penso: isso é mesmo verdade? O que está acontecendo?”, diz Sabbah.

Segundo ele, o Centro de Criatividade para Professores atendeu a mais de 200 mil crianças e cerca de 100 mil famílias. “Ajudamos eles a tentar entender e a lidar como os sentimentos que estão tendo. Mães que não sabem como lidar com as crianças que perderam os pais na guerra e as crianças que não sabem lidar com as mortes”, diz.

O Centro se inspira nos ideais do pensador e educador brasileiro Paulo Freire. O próprio Sabbah cita o conceito de escola sem muros, que é uma unidade integrada com a comunidade e também de que não existe educação neutra.

Em Gaza, é impossível se fechar em escolas, ignorando a realidade ao redor. Até mesmo porque muitas dessas instituições não existem mais. Segundo o relatório de Monitoramento Global da Educação (GEM) 2024 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), 61% das escolas em Gaza foram atingidas diretamente.

“Começamos a fazer escolas abertas, escolas sem paredes, porque Israel destruiu tudo. A ideia é fazer escolas não importa onde, nos escombros, em tendas, nas ruas. Apenas começar com as crianças que estão com medo.”

E explica: “através da educação, é possível ajudar estudantes, professores, crianças a entender o problema e a ideologia. O que está acontecendo? Por que os Estados Unidos estão fazendo isso? Por que Israel está fazendo isso? Por que estão matando as pessoas sem nenhuma misericórdia? Por que estão destruindo as casas, a história e o futuro das crianças?”.

Sabbah também é membro do Comitê Diretor de Alto Nível para garantia do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4 da ONU, voltado para a educação, e presidente da Campanha Global pela Educação, movimento da sociedade civil voltado para garantia do direito à educação em todo o mundo. 

Participar de encontros internacionais, como o que ocorreu Fortaleza, é também um momento para falar sobre o genocídio que está ocorrendo em Gaza e buscar apoio.

“Nós ficamos chocados com o silêncio da maioria dos países, embora, oficialmente, eu sei que as pessoas, em geral, apoiam os direitos dos palestinos e são contra o genocídio. Eu vim direto da Palestina para cá porque eu acredito que esse espaço pode ajudar, que podemos falar.”

*A repórter viajou a convite do Ministério da Educação

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Com informações da Agência Brasil

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