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Home»Brasil»DR com Demori: Carlos Nobre alerta para risco de colapso ambiental
Brasil

DR com Demori: Carlos Nobre alerta para risco de colapso ambiental

adminBy adminFevereiro 18, 2025Sem comentários5 Mins Read
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O planeta está muito próximo de ultrapassar os chamados “pontos de não retorno”. É o alerta do cientista e climatologista Carlos Nobre em entrevista ao jornalista Leandro Demori.  

Carlos Nobre fez parte da equipe internacional de cientistas que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007 pelos importantes alertas sobre o perigo do clima extremo.

De acordo com o climatologista, a ciência estabelece mais de 25 pontos que, se alcançados, tornam a Terra praticamente inabitável.

“Estão batendo recordes de ondas de calor em todo o mundo, inclusive no Brasil. Então, esse é um enorme risco. Nós já vimos o que é o planeta chegando a 1,5 graus, bateu todos os recordes dos eventos extremos. E, então, aí, se a gente continuar com a temperatura aumentando, se ela chegar em 2050 a 2,5 graus, nós vamos explodir um monte desses pontos de não retorno”, explica.


São Paulo (SP), 17/02/2025 -O cientista, Carlos Nobre, é o convidado do programa DR com Demori, na Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Foto: Pri Cestari/Agência Brasil

Carlos Nobre é o convidado do programa DR com Demori desta terça-feira- Pri Cestari/Agência Brasil

Nobre cita como um ponto de não retorno o branqueamento dos recifes de corais, fenômeno que já vem acontecendo nos oceanos. Segundo o cientista, se a temperatura do planeta passar de 2 graus de aquecimento, praticamente 100% das espécies de recifes de corais vão desaparecer. “Os recifes de corais mantêm 25% da biodiversidade oceânica. Isso tudo vai desaparecer”, alerta.

Outro ponto de não retorno, segundo Carlos Nobre, são os impactos na Amazônia, caso a temperatura da Terra chegue a 2,5 graus de aquecimento em 2050. Ele explica que perderíamos de 50% a 70% da floresta, tornando a Amazônia um ecossistema super degradado. A consequência disso seria a liberação de 250 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera.

O terceiro ponto de não retorno que ele cita está relacionado aos solos permanentemente congelados da Sibéria, do norte do Canadá e do norte do Alasca, os chamados “permafrost”. Segundo ele, existe uma enorme quantidade de gás carbônico e metano, 30 vezes mais poderoso que o gás carbônico, armazenada nessas regiões.  “Se a temperatura passar de 2, chegar a 2,5 (graus de aquecimento), nós vamos perder a maior parte do solo congelado. Vai descongelar e vai liberar mais de 250 bilhões de toneladas de metano e de gás carbônico. Soma só esses dois pontos de não retorno, Amazônia e permafrost, nós vamos jogar mais de 500 bilhões de toneladas (na atmosfera)”, conclui.

Nobre ressaltou ainda que a única chance de sobrevivermos como espécie é evitar o aumento do aquecimento global. “Se a gente chegar em 2050 com 2,5 graus (de aquecimento), dispara esses pontos de não retorno. Já não tem mais muito o que o ser humano possa fazer.  Mesmo que a gente consiga reduzir muito e zerar as emissões, ainda assim, esses pontos de não retorno vão tornar o planeta praticamente inabitável e vão atingir, em 2100, no próximo século, a sexta extinção de espécie”, enfatiza.  

Diante desse cenário alarmante, Nobre criticou a falta de compromisso político global com a redução das emissões de carbono. Ele ressaltou que as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris não estão sendo cumpridas pela maioria dos países, e que a recente ascensão de líderes negacionistas agrava ainda mais a situação. O caso dos Estados Unidos foi citado como preocupante, com um governo priorizando a exploração de combustíveis fósseis e desconsiderando alertas científicos.

Transição energética

Quando questionado sobre estratégias para mitigar os impactos da crise climática, o cientista enfatizou a necessidade de uma transição urgente para energias renováveis, o fim do desmatamento e a diminuição drástica das emissões de gases do efeito estufa. “Sem dúvida nós precisamos do pacote completo, mas, historicamente, a queima de combustíveis fósseis, petróleo, carvão e gás natural, responde por mais de 75% das emissões”, explica. Nobre lembrou que o Brasil é o país que tem mais condições de zerar as emissões de gases nocivos na atmosfera, pois possui diversas fontes de energias renováveis – hidrelétrica, solar e eólica.

Sobre as discussões na COP 30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontecerá em novembro na cidade de Belém, no Pará, Carlos Nobre criticou o agronegócio, que classificou como o setor que mais rejeita os alertas em relação às mudanças climáticas.

“Quando a gente olha setores econômicos, quais são os mais negacionistas das mudanças climáticas? Não é o setor do combustível fóssil. Eles querem uma transição lenta, mas não são negacionistas. É o setor do agronegócio, em todo o mundo. Estados Unidos, Brasil, Argentina, países europeus, é uma coisa difícil de entender, porque eles já estão sendo muito prejudicados com os eventos extremos. Então, é muito importante que a COP30 não seja, obviamente, do petróleo, e muito menos também a COP do pessoal do agronegócio, que não quer reduzir, que quer continuar expandindo as áreas de pecuária, de agricultura, tudo”, enfatizou.

o entanto, Nobre disse estar otimista com a conferência no Brasil.  “Todos os países que forem ali vão ter que assinar:  vamos zerar as emissões muito antes de 2050, 2040. Então, esse é o papel que o Brasil tem. (…) Vamos transformar a COP30 na mais desafiadora, a mais importante, vamos zerar as emissões no máximo em 2040”, concluiu.

O programa DR com Demori vai ao ar toda terça-feira, às 23h, na TV Brasil, app TV Brasil Play e no Youtube. Também é transmitido pelas rádios Nacional FM e MEC. 

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Com informações da Agência Brasil

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