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Home»São Paulo»Estudo de SP revela que excesso de frutose aumenta o risco de diabetes tipo 2 e doenças no fígado
São Paulo

Estudo de SP revela que excesso de frutose aumenta o risco de diabetes tipo 2 e doenças no fígado

adminBy adminAbril 6, 2025Sem comentários4 Mins Read
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 O consumo excessivo de frutose – comum em dietas com alto teor de alimentos ultraprocessados – modifica a forma como o intestino responde à glicose, aumentando a absorção desse açúcar e comprometendo o controle da glicemia. Essa foi a conclusão de um estudo publicado na revista Molecular Metabolism por pesquisadores da Université Laval (Ulaval), do Canadá, e do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).

Segundo os autores, esses efeitos observados em camundongos precedem a intolerância à glicose e o acúmulo de gordura no fígado, dois fatores ligados ao desenvolvimento do diabetes tipo 2 e da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (Masld, na sigla em inglês). E a absorção intestinal alterada é o gatilho do problema.

LEIA TAMBÉM: Estudo de SP mostra como o excesso de açúcar no sangue aumenta o risco de trombose

No estudo, camundongos foram alimentados durante sete semanas com uma dieta em que 8,5% da energia vinha da frutose – proporção considerada elevada, mas ainda próxima do consumo humano médio. Em apenas três dias, os animais já apresentavam um aumento na capacidade do intestino de absorver glicose, antes mesmo do surgimento da intolerância à glicose. Após quatro semanas, a glicose já não era eficientemente removida do sangue e, ao fim do estudo, observou-se acúmulo de gordura no fígado – condição que pode evoluir para quadros mais graves, como a cirrose.

Curiosamente, mesmo com esses efeitos adversos, os camundongos não desenvolveram resistência à insulina nos músculos ou no tecido adiposo, indicando que o descontrole glicêmico inicial ocorre por alterações no intestino e não por falha na resposta insulínica periférica.

A explicação para esse fenômeno pode estar na ação de um hormônio chamado GLP-2, produzido por células do intestino. Os pesquisadores constataram que o consumo excessivo de frutose eleva os níveis circulantes de GLP-2, substância que estimula o crescimento da superfície intestinal e o aumento da absorção de nutrientes. Ao bloquear o receptor desse hormônio (Glp2r) com uma droga, foi possível impedir o aumento da absorção de glicose, evitando tanto a intolerância quanto o acúmulo de gordura no fígado.

No entanto, a estratégia de bloqueio do Glp2r não é facilmente aplicável a humanos, pois esse mesmo receptor está envolvido na proteção da barreira intestinal contra infecções e inflamações. Isso reforça a complexidade do papel do GLP-2 na saúde metabólica.

“Mostramos que o aumento da absorção de glicose pelo intestino ocorre antes da intolerância à glicose. Isso abre caminho para o uso desse mecanismo como um biomarcador precoce”, disse à Assessoria de Imprensa do ICB-USP Fernando Forato Anhê, professor da Faculdade de Medicina da Ulaval e coordenador da investigação. “O teste de absorção intestinal de glicose é barato, seguro e já utilizado em humanos – bastaria aplicá-lo em um novo contexto.”

LEIA TAMBÉM: Pesquisadores criam método mais preciso para identificar TDAH em jovens

Apoiada pela Fapesp por meio de quatro projetos, a pesquisa foi conduzida por Paulo H. Evangelista-Silva, doutorando no Programa de Pós-Graduação do Departamento de Biologia Funcional e Molecular do ICB-USP, em coautoria com Eya Sellami, pesquisadora da Ulaval, e Caio Jordão Teixeira, pós-doutorando no Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB-USP.

Na próxima etapa, apoiada pelo Canadian Institutes of Health Research (CIHR), o grupo vai investigar como o microbioma intestinal pode ser manipulado para reduzir os efeitos nocivos do excesso de frutose.

Fruta é aliada

De acordo com Evangelista-Silva, os resultados do estudo se referem ao consumo de frutose adicionada a alimentos ultraprocessados. “Frutas in natura são ricas em fibras, que ajudam a retardar a absorção de glicose e aumentam a saciedade. Além disso, contêm nutrientes benéficos para a saúde intestinal e hepática”, explicou.

A pobreza nutricional dos ultraprocessados, com baixo teor de fibras e altos níveis de açúcares adicionados – como o xarope de milho e o açúcar de cana –, sobrecarrega o organismo. Evangelista-Silva recomenda priorizar alimentos in natura, conforme orienta o Guia Alimentar para a População Brasileira, desenvolvido pelo Ministério da Saúde com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

LEIA TAMBÉM: Excesso de açúcar no sangue pode causar AVC e Alzheimer, diz pesquisador da USP

O açúcar de cana-de-açúcar e o xarope de milho são exemplos de açúcares ricos em frutose amplamente utilizados pela indústria em alimentos ultraprocessados. Confira abaixo alguns exemplos:

• Refrigerantes e sucos industrializados (mesmo os 100% fruta)
• Cereais matinais e barras adoçadas
• Biscoitos recheados e doces industrializados
• Pães e bolos prontos (como bisnaguinhas e pão de forma)
• Chás prontos e bebidas esportivas adoçadas
• Molhos industrializados (ketchup, barbecue etc.)
• Iogurtes adoçados, sobremesas lácteas e geleias

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Com informações do Governo de São Paulo

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