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Home»Brasil»Companheira de Dom Phillips lança obra póstuma na Feira do Livro em SP
Brasil

Companheira de Dom Phillips lança obra póstuma na Feira do Livro em SP

adminBy adminJunho 17, 2025Sem comentários4 Mins Read
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Após três anos do homicídio do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, a viúva de Dom, Alessandra Sampaio, promove o livro deixado inacabado pelo companheiro. Com o título Como salvar a Amazônia: uma busca mortal por respostas, a obra era o motivo pelo qual Dom apurava informações na Terra Indígena Vale do Javari e foi finalizada por seus amigos, sob o comando de Alessandra. O livro é lançado pela editora Companhia das Letras. 

Alessandra participa nesta quarta-feira (18) do evento A Feira do Livro, na Praça Charles Miller, no Pacaembu, na capital paulista, em uma atividade com Tom Phillips e Otavio Cury.

Alessandra trabalhou com artesanato e atualmente seu principal objetivo é prolongar o que o companheiro iniciou. Ao fundar o Instituto Dom Phillips, ela tem buscado garantir formação a jovens indígenas comunicadores que aparecem cheios de dúvidas, muitas delas respondidas pela educação midiática, área que amplia a compreensão sobre temas como desinformação e checagem de fatos.

“O Dom era e sempre foi essa pessoa muito conectada à natureza. Essa conexão muito profunda, de fazer caminhadas, alguma atividade. Era bem importante para ele isso. E não era o tipo de jornalista que está na região só para coletar informação para algum trabalho. Ele se envolvia com as pessoas e suas histórias”, contou Alessandra à Agência Brasil. 

Segundo ela, Phillips foi à Amazônia pela primeira vez como turista. A partir dessa viagem, ele pensou em morar no Brasil, a partir de 2007. 

“Não tinha como não se envolver. Primeiro, porque a Amazônia é uma causa apaixonante. Ele voltava muito impactado. Ele dizia: ‘se as pessoas conhecessem a Amazônia, os povos da Amazônia, naturalmente iam se engajar para proteger, porque não tem como você ficar alheio à grandiosidade da floresta e à sabedoria dos povos’”. 

Carreira

Dom Phillips iniciou a carreira com a cobertura de música eletrônica para a revista Mixmag, área completamente diferente daquela por meio da qual fez um nome no Brasil e no exterior. 

A primeira reportagem para o Washington Post foi sobre a Mina de Carajás, no Pará, uma das maiores de extração de ferro. Os efeitos socioambientais foram o que mais desordenou o interior de Dom Phillips, segundo sua companheira.

Alessandra conta que ele teve uma editora extremamente rigorosa no Washington Post, jornal com o qual passou a colaborar em 2015. “O texto ia e voltava diversas vezes para que Dom fizesse ajustes com base nas avaliações e reavaliações da colega e, no fim das contas, ele considerou que a editora, sozinha, foi uma escola inteira de jornalismo para ele”, diz. 

Segundo conta Alessandra, um líder ashaninka foi quem falou de Dom para o líder Beto Marubo, convencendo-o logo de cara a ajudar o jornalista em sua jornada no Vale do Javari. Beto, por sua vez, comentou com o indigenista Bruno a intenção de dar acesso ao jornalista. “O Bruno falou: ‘ah, não, Beto, vai trazer um gringo para cá e o gringo não sabe andar na mata. E sabe lá se ele é confiável’. O Beto, conhecendo o Bruno muito bem, disse: ‘Dom, pode ir, que o Bruno é meio reclamão, mas vai dar tudo certo’”, relata.

Livro


Brasília (DF), 17/06/2025 - Capa do livro Como salvar a Amazônia. Foto: Companhia das Letras/Divulgação

Capa do livro Como salvar a Amazônia. Foto: Companhia das Letras/Divulgação

Quando detalhou a Bruno Pereira o que esperava do livro, Dom já havia se agarrado ao título.

“O Dom acreditava tanto no título desse livro que ele registrou. Tinha medo de alguém roubar o nome. Falou para o Beto o nome, e ele disse: ‘poxa, gringo, você tá de brincadeira? Você é estrangeiro e vem falar como é salvar a Amazônia? Que prepotência!’ Aí, o Dom disse: ‘não, você não está entendendo. Esse título é para provocar isso que você está sentindo. É também uma afirmação, não só uma pergunta’”, conta Alessandra.

“Esse título tem uma coisa meio dúbia, que vai deixar a pessoa intrigada, e o que eu quero, o meu papel, é ser exatamente esse canal para vocês falarem e reportar o que está acontecendo, falar da experiência de vocês. Não é o que eu interpreto da experiência de vocês, mas descrever a experiência de vocês e poder ajudar de alguma forma.”

Para a designer e principal responsável por evitar que a inspiradora colaboração de Dom Phillips e de Bruno Pereira acabe sendo um vestígio, o jornalista britânico era um companheiro autêntico. “Na Amazônia, precisam muito de aliados, e o Dom se colocava dessa forma, de modo muito sincero.”

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Com informações da Agência Brasil

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