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Home»Alto Tietê»Destaque na Flip 2025, a carioca Érica Magni lança, em Paraty e no Rio, obra poética que retrata abandono e especulação em Monte Alto (RJ)
Alto Tietê

Destaque na Flip 2025, a carioca Érica Magni lança, em Paraty e no Rio, obra poética que retrata abandono e especulação em Monte Alto (RJ)

adminBy adminJulho 16, 2025Sem comentários4 Mins Read
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Em “Maresia corrói os dentes”, publicado pela Sophia Editora, a autora carioca adota narrativa híbrida, misturando prosa e poesia, para retratar corrosão e resistência em territórios invisíveis

“Num exercício de olhar para fora olhando para dentro — e vice-versa —, ‘Maresia corroi os dentes’ vai poetizar a morte, o medo, o abandono e outros muitos temas delicados. É uma experiência emocionante e assustadora — embora valha o risco — seguir pelas linhas que a autora traça […].”

Bruna Mitrano, sem texto posfácio

Em seu terceiro livro, “ Maresia corrói os dentes ” (Sophia Editora, 2025), a poetisa e jornalista Érica Magni mergulha nas memórias de Monte Alto, distrito de Arraial do Cabo (RJ), para tecer uma narrativa híbrida entre poesia e prosa. A obra, que nasce marcada pela urgência política e ambiental, retrata a vida em um território corroído não apenas pelo sal do mar, mas pela negligência do Estado e pela especulação imobiliária. “Escolha esses temas porque refletem uma urgência coletiva: a preservação de lugares que estão sendo excluídos”, explica a autora. O livro conta com prefácio de Tatiana Pequeno e posfácio assinado por Bruna Mitrano. O lançamento oficial da obra ocorre durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2025, de 30 de julho e 3 de agosto, na Casa Gueto. A autora também fará uma sessão de autógrafos no Rio, capital, no dia 13 de setembro, a partir das 18h, na Partisan Da Lapa (Rua Moraes e Vale 31, Lapa).

Érica captura vozes muitas vezes silenciadas — pescadores, vendedores ambulantes, moradores de casas devoradas pelo tempo — e as transforma em literatura. “O livro fala sobre corrosão e permanência. Sobre o que resiste mesmo quando tudo tenta apagar”, diz. A maresia, aqui, é mais que um aspecto natural: é uma metáfora para o desgaste social, ambiental e afetivo de uma comunidade que insiste em existir. A obra surgiu de três anos de convivência com a região, onde a autora se tornou parte da paisagem. “As pessoas me viam e gritavam: ‘E o livro? Já escrito?’”, relembra.

A maresia como metáfora existencial

O sal que corrói as estruturas de ferro nas praias de Monte Alto serve de metáfora central para a obra. “A maresia aparece como aquilo que derrota lentamente, mas também como o que deixa marcas, do que insiste”, explica a autora. Essa dupla natureza, corrosão e permanência, estrutura todo o livro, que aborda desde a manipulação ambiental até a resiliência dos afetos em meio à adversidade.

Os versos e fragmentos de Érica capturam com precisão o ritmo da vida à beira-mar: o vai-e-vem das marés que refletem a chegada e partida dos turistas; o silêncio ensurdecedor do inverno que contrasta com o burburinho efêmero do verão; o lento definir as construções frente ao avanço do mar e do descaso. “Escolha esses temas porque refletem não apenas minha experiência pessoal, mas uma urgência coletiva”, afirma a escritora, destacando como a obra de diálogo com questões ambientais e sociais prementes.

Influenciada por vozes como Conceição Evaristo, Hilda Hilst e João Cabral de Melo Neto, a autora desenvolve uma linguagem que é ao mesmo tempo lírica e concreta, capaz de traduzir em palavras a textura áspera da vida nas bordas. “Minha escrita é fragmentada, sensorial e afetiva”, define um poeta, que optou por uma estrutura não linear para o livro. Os capítulos são organizados como ondas, às vezes suaves, às vezes violentas, criando um efeito de maré que envolve o leitor.

Um dos momentos mais marcantes da obra é o relato do incêndio que destruiu a casa da autora em Arraial do Cabo. Esse episódio, tratado com uma cruz que não exclui a beleza, serve como metáfora para todo o livro: da destruição pode nascer uma nova forma de ver o mundo. “O livro começa com o fogo, mas termina com o sal – ambos corrosivos, ambos transformadores”, analisa Bruna Mitrano no posfácio da obra.

Sobre a autora

Érica Magni (Rio de Janeiro, 1986) é poetisa, jornalista e criadora do podcast Rádio-Carta Mulher. Autora de “Poérica” (Editora Cousa, 2019) e “Areia na Olhota” (Editora Pedregulho, 2023), já colaboraram com projetos ligados a comunidades indígenas e periféricas, como o livro “Diário de Área” (2021), sobre a etnia Yanomami. Vive entre a Região dos Lagos e Teresópolis, onde continua a escrever “tudo que a atravessa”.

Agenda de lançamentos – “Maresia corroi os dentes”

Paraty (RJ)

Lançamento durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2025

Local: Casa Gueto (Rua Benedito Telmo Coupê, nº 277 – Antiga Rua Fresca – Centro Histórico)

Data: de 30 de julho a 3 de agosto

Rio de Janeiro (RJ)

Sessão de autógrafos com o autor

Data: 13 de setembro de 2025

Horário: a partir das 18h

Local: Partisan Da Lapa (Rua Moraes e Vale, 31, Lapa)

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