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Home»São Paulo»Estudo recomenda avaliação de risco integrada para doenças transmitidas por animais infectados e vetores
São Paulo

Estudo recomenda avaliação de risco integrada para doenças transmitidas por animais infectados e vetores

adminBy adminAgosto 3, 2025Sem comentários5 Mins Read
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Estudo publicado na revista One Earth aponta que as avaliações de risco para doenças transmitidas por animais infectados (zoonóticas) e por vetores (como mosquitos) precisam ser unificadas e integradas. Ações nesse sentido poderiam ajudar a prevenir essas moléstias, cuja ocorrência tende a aumentar por causa das mudanças climáticas.

O trabalho foi liderado por pesquisadores do Núcleo de Análise e Síntese de Soluções Baseadas na Natureza (BIOTA Síntese), apoiado pela Fapesp no âmbito dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs).

Sediado no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), o centro conta ainda com pesquisadores da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) e de outras universidades e organizações do terceiro setor.

Os pesquisadores fizeram um levantamento que chegou a 312 estudos publicados sobre o risco de transmissão para 39 patógenos e doenças. Apenas 7,4% dos estudos incluem os três componentes de risco, que são perigo, exposição e vulnerabilidade.

“Não há uma padronização nos estudos realizados. O risco de transmissão de uma mesma doença, por exemplo, pode ser avaliado apenas com base na abundância de mosquitos vetores em um estudo, enquanto outro leva em conta a exposição humana a esses organismos. Essa falta de uniformidade compromete a produção de modelos confiáveis e precisos, que poderiam orientar políticas públicas voltadas à identificação precoce de áreas de risco”, ilustra Raquel Carvalho, primeira autora do estudo, realizado durante pós-doutorado com bolsa da Fapesp no IEA-USP.

O artigo apresenta recomendações para estruturar esse campo de pesquisa, em rápida expansão, no contexto das mudanças ambientais. As orientações destacam a necessidade de maior atenção à exposição e à vulnerabilidade, com a definição de indicadores específicos para cada uma. Recomenda também o redirecionamento dos financiamentos internacionais de pesquisa e o fortalecimento da cooperação internacional, a fim de apoiar os esforços científicos voltados às doenças zoonóticas e transmitidas por vetores em regiões tropicais.

Para o trabalho, Carvalho realizou ainda estágio na Universidade de Glasgow, na Escócia. Atualmente, é professora no Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências (IB-USP) e pesquisadora associada ao BIOTA Síntese.

Os resultados do estudo foram propostos ainda ao Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (PEARC), instrumento que visa estruturar, coordenar e articular a atuação do Estado de São Paulo no enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas.

Plano estadual

Nas contribuições ao PEARC, os autores do BIOTA Síntese diferenciam os componentes perigo, exposição e vulnerabilidade às doenças zoonóticas e transmitidas por vetores.

Segundo o documento, que segue as definições usadas no estudo, perigo de infecção ocorre por causa da “presença e/ou abundância de hospedeiros zoonóticos, vetores e reservatórios”. Além disso, leva em conta “presença e/ou prevalência de infecção por patógenos em um determinado espaço e tempo, representando uma ameaça potencial para os humanos”.

Por sua vez, “exposição” é a “probabilidade de contato humano com perigo, determinada pelo tipo, frequência e probabilidade de comportamentos, atividades e outras variáveis relacionadas que modulam o contato com o perigo e podem resultar em infecção por um patógeno zoonótico ou transmitido por vetores”.

Finalmente, “vulnerabilidade” é a “probabilidade de infecção humana, considerando a chance de uma pessoa ou um grupo de pessoas, em um determinado espaço e tempo, serem infectados por um patógeno zoonótico ou transmitido por vetores após a exposição ao perigo”.

Omissão de componentes relevantes pode gerar estimativas imprecisas, resultando na definição de áreas prioritárias irrelevantes

“Não existe um componente mais importante do que o outro. É a intersecção entre eles que representa o risco geral. Por isso, para estimar adequadamente as áreas de risco, é preciso considerar todos, o que raramente ocorre de forma simultânea nos estudos que realizam esse tipo de avaliação”, explica Carvalho.

Para os autores, a omissão de componentes relevantes pode gerar estimativas imprecisas ou equivocadas, resultando em um planejamento espacial inadequado, como a definição de áreas prioritárias irrelevantes, além de má alocação de recursos e esforços de gestão, o que prolonga a exposição de populações vulneráveis a riscos evitáveis.

Locais com grande densidade populacional humana e muitos casos de dengue, por exemplo, precisariam de mais campanhas de conscientização para evitar a reprodução do mosquito Aedes aegypti e a aplicação de inseticida, por exemplo.

Da mesma forma, é preciso considerar que a simples presença de um patógeno no ambiente não necessariamente significa um alto risco. A presença do hantavírus em roedores silvestres, por exemplo, pode representar um risco menor em áreas rurais, pois a exposição humana aos animais infectados é menos frequente.

Medidas práticas

Na seção que se refere às doenças zoonóticas e transmitidas por vetores das recomendações ao PEARC realizada pelo BIOTA Síntese, além da estruturação de uma avaliação de risco unificada e integrada para essas moléstias, o time de gestores e pesquisadores trata ainda de uma série de medidas a serem aplicadas.

Uma delas é o aprimoramento da avaliação de impacto sobre zoonoses de empreendimentos como condomínios, que atualmente considera apenas a febre maculosa. Outra recomendação visa aprimorar a rede laboratorial para diagnóstico e vigilância ativa em fauna silvestre, além da comunicação, a fim de otimizar o acesso e a disponibilização de informações.

Por fim, os pesquisadores e gestores afirmam a necessidade de fortalecer a racionalidade e a eficiência da distribuição de água. Segundo os autores, há diversas evidências científicas que relacionam doenças transmitidas por vetores, como a dengue, à falta de segurança hídrica.

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Com informações do Governo de São Paulo

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