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Home»Brasil»Tambores e cantos marcam abertura do Festival Artes Vertentes
Brasil

Tambores e cantos marcam abertura do Festival Artes Vertentes

adminBy adminSetembro 12, 2025Sem comentários5 Mins Read
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Tambores e cantos marcaram a abertura da 14ª edição do Festival Artes Vertentes. O cortejo, conduzido pelo Congado Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia, preencheu as ruas de Tiradentes convidando quem por ali estivesse para conhecer a programação que ocupará os centros culturais da cidade nos próximos dias. Serão 54 atividades entre exposições, exibições de cinema, apresentações de teatro, de música e de literatura.

A edição deste ano tem como tema Entre as margens do Atlântico, propondo um diálogo entre três continentes intimamente ligados pela história: América, África e Europa. A programação de 2025 também faz parte da Temporada da França no Brasil, que ocorre até o final do ano em 15 cidades brasileiras e tem como objetivo aproximar os dois países por meio da cultura.

Responsável por conduzir a abertura do Festival, na noite dessa quinta-feira (11), Claudinei Matias do Nascimento, o Mestre Prego, ressaltou que a congada representa a força do povo negro e, mais do que isso, lembra as 22 mil pessoas escravizadas que foram obrigadas a trabalhar na região. “Fico muito feliz de ser convidado para o Festival, para fazer a abertura por meio do toque do tambor, que representa a nossa força e a nossa comunidade, do povo negro, que trabalhou essas terras”, disse.


Tiradentes (MG), 11/09/2025 – O grupo de congado Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia participa de cortejo durante abertura do Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O grupo de congado Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia abre Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Mestre Prego destacou que a congada é também uma forma de manter viva a memória daqueles que tiveram a própria história apagada e de honrar cada um deles. Ele cita o trecho de uma canção: “É uma cantiga também de alegria e uma cantiga de dor, [que diz] ‘Ai, meu povo hoje é lembrado’. Essa cantiga nosso povo usava quando estava no tronco e quando tinha um momento de alegria, que era pouco, né?”.

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Vertentes

De acordo com o curador e diretor artístico do festival, Luiz Gustavo Carvalho, o Festival Artes Vertentes é voltado para a arte contemporânea e busca o diálogo entre os mais diversos segmentos artísticos, reunido cinema, artes visuais, artes cênicas, entre outros. A locação do evento também é um diferencial, Tiradentes. Segundo ele, o papel é “tecer um diálogo entre o patrimônio imaterial e arquitetônico da cidade e, sobretudo, uma reflexão sobre as narrativas de extrema importância, urgentes, que precisam ser abordadas. Acho que é papel de um festival ligar essas edições também como o território ocupado por ele”, defende.

A cidade de Tiradentes foi fundada por volta de 1702, quando os paulistas descobriram ouro nas encostas da Serra de São José, dando origem a um arraial batizado com o nome de Santo Antônio do Rio das Mortes. O arraial, posteriormente, passou a ser conhecido como Arraial Velho e, em 1718 foi elevado à vila, com o nome de São José, passando em 1860, à categoria de cidade. Durante todo o século 18, a Vila de São José viveu da exploração de ouro e foi um dos importantes centros produtores de Minas Gerais. Apenas com a proclamação da República em 1889, a cidade recebe o nome atual, que homenageia Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, um dos líderes da Inconfidência Mineira.

Além da importância histórica, a cidade é escolhida também pela posição geográfica.

“Para nós, é muito importante fazer isso no interior e sair das capitais, porque a gente acha que assim intensifica esse diálogo entre as pessoas locais e os artistas vindos de fora, também reunindo essas culturas locais, regionais, nacionais e internacionais”, diz a diretora executiva do festival, Maria Vragova.

Atrações

A abertura contou ainda com a apresentação das formações musicais da Ação Cultural Artes Vertentes, um dos desdobramentos do festival, que desde 2013, oferece, ao longo do ano, gratuitamente a crianças, adolescentes e adultos de Tiradentes cursos de música, artes visuais, cerâmica e fotografia.


Tiradentes (MG), 11/09/2025 – Apresentação das formações musicais da Ação Cultural Artes Vertentes com participação do Coro VivAvoz e do coro Vozes da APAE na abertura do Festival Artes Vertentes, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Apresentação das formações musicais da Ação Cultural Artes Vertentes com participação do Coro VivAvoz em Tiradentes (MG). Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Como parte da Temporada da França no Brasil, o festival contará, ao longo da programação, com atrações internacionais, como a poeta, fotógrafa e colagista Wendie Zahibo, que vive e trabalha entre Guadalupe e a França, e o poeta, dramaturgo e romancista Jean D’Amérique, diretor artístico do festival Transe Poétique, em Porto Príncipe.

“[A Temporada] inclui também uma dimensão de encontro com outras culturas e, em particular, com as culturas africanas, que tanto influenciaram a Europa e as Américas. Influenciaram de maneira dolorosa, não podemos esquecer a história da escravidão, influenciaram e influenciam ainda, de uma maneira maravilhosamente frutífera, a partir da música, da espiritualidade, a partir também de toda a riqueza das artes africanas”, diz a comissária-geral da Temporada França-Brasil, Anne Louyot, também presente no evento.

A programação ocorre também nas cidades vizinhas a Tiradentes, como São João del Rei e Bichinho, onde haverá mostras de cinema que discutem memória, ancestralidade e resistência.

O Festival Artes Vertentes segue até 21 de setembro e a maior parte da programação é gratuita. Mais detalhes no site artesvertentes.com.

* A repórter viajou a convite do Festival Artes e Vertentes

Galeria – Festival Artes Vertentes. Fotos: Tomaz Silva/Agência Brasil

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Com informações da Agência Brasil

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