Close Menu
Carioca de Suzano NotíciasCarioca de Suzano Notícias
  • Alto Tietê
  • Brasil
  • Mundo
  • São Paulo
What's Hot

Sancionado programa de incentivo à indústria nacional de fertilizantes

Setembro 5, 2026

‘Educando pela Cidade’ contempla 1.808 crianças em semana marcada por visita a templo, parque e estádio

Setembro 5, 2026

Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

Setembro 5, 2026
Facebook X (Twitter) Instagram
Carioca de Suzano NotíciasCarioca de Suzano Notícias
  • Alto Tietê
  • Brasil
  • Mundo
  • São Paulo
Facebook X (Twitter) Instagram
Carioca de Suzano NotíciasCarioca de Suzano Notícias
Home»Brasil»Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com clima e terra
Brasil

Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com clima e terra

adminBy adminSetembro 5, 2026Sem comentários7 Mins Read
Facebook Twitter Pinterest Telegram LinkedIn Tumblr WhatsApp Email
Share
Facebook Twitter LinkedIn Pinterest Telegram Email

Na Amazônia peruana, o indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi alerta que a seca ameaça não apenas alimentos e rios, mas também culturas e conhecimentos ancestrais.

Em El Salvador, a líder juvenil Xenia López acompanha comunidades do Corredor Seco Centro-Americano que tentam adaptar a agricultura à falta de água.

Na parte argentina do Chaco Americano, a professora e ativista Antonella Sleiman conta que a região, historicamente afetada pela seca, teve inundações inéditas que devastaram plantações este ano.

As três histórias foram compartilhadas durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), encerrada na semana passada em Ulaanbaatar, na Mongólia. Elas levantam desafios comuns que vão além do evento: como transformar metas internacionais de restauração e combate à seca em mudanças concretas para quem depende diretamente da terra na América Latina.

Cerca de 28% dos territórios na região são de terras degradadas. O índice é muito superior à média global (que gira em torno de 15% a 16%). Os dados são da convenção das Nações Unidas especializada no combate à desertificação (UNCCD, na sigla em inglês).

A conferência terminou com novos mecanismos de financiamento, discussões sobre uma arquitetura global de resiliência à seca e maior participação formal de povos indígenas e comunidades.

Para os representantes latino-americanos, no entanto, a distância entre as decisões internacionais e os cotidianos locais ainda é grande.

Quando a chuva não vem

Xenia López trabalha com 16 comunidades rurais e semi urbanas no departamento de Chalatenango, em El Salvador. A maior parte delas vive principalmente da agricultura. A região está dentro do Corredor Seco Centro-Americano, uma faixa que se estende desde o sul do México até o oeste do Panamá, e é particularmente vulnerável à irregularidade das chuvas.

“Há zonas que enfrentam longos períodos de verão e episódios de calor intenso no inverno. Quando deveria chover e abastecer a agricultura, simplesmente fica seco”, contou.

Nos últimos anos, Xenia passou a trabalhar com comunidades na adoção de práticas agroecológicas. A preocupação não é apenas com a redução das chuvas, mas também com solos empobrecidos pelo uso intensivo de produtos químicos.

Segundo a líder, a mudança das práticas permitiu melhorar o aproveitamento da água e a proteção do solo.

“A agroecologia, ao invés da agricultura intensiva, nos permite fazer um uso mais eficiente da água e proteger o solo, em vez de tratá-lo apenas como um recurso do qual podemos usar e abusar”, relata.

São soluções comunitárias, mas os problemas demandam maior apoio de autoridades e organismos internacionais. Xenia lamenta o fato de países como El Salvador e Nicarágua terem governos hostis, que não permitem espaços de reivindicação por iniciativas mais estruturais.

Participantes defendem que conferências como a COP17 permitem construir redes de apoio, dar maior visibilidade às demandas populares e sonhar com um futuro diferente para a região.

“No evento, contamos muito com a ajuda do Brasil, que nos deu espaço no pavilhão do país. Lá, conseguimos compartilhar nossas histórias e lutas. Mas precisamos de ajuda para ampliar nossas vozes em espaços internacionais e ter um lugar específico para as questões da América Central”, diz Xenia.

Da seca à inundação

No Chaco Americano, na Argentina, Antonella Sleiman vive outro tipo de transformação.

A região do Rio Salado Norte sempre conviveu com a seca. Neste ano, porém, tiveram de lidar com o outro extremo. Comunidades que haviam aprendido a administrar a escassez de água enfrentaram inundações em uma escala que, segundo ela, não era observada havia cerca de 50 anos.


04/09/2026 - Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com secas e clima
Jovens e indígenas cobram respostas para além da COP da Desertificação. Na foto: Antonella Sleiman  .  Foto: Maristela Crispim/ Divulgação

 Antonella Sleiman viu comunidades acostumadas a lidar com a seca serem inundadas. Maristela Crispim/ Divulgação

As famílias produzem milho, abóbora e outros alimentos principalmente para consumo próprio e para o comércio local. Também criam cabras, ovelhas, vacas e porcos.

Com as inundações, perderam parte das plantações e da vegetação utilizada naturalmente para alimentar os animais.

“Este ano, pela primeira vez, algumas comunidades precisaram comprar alimentos para as famílias e para os rebanhos em localidades distantes. Essa mudança gerou muitos problemas”, conta.

Professora de escolas rurais e promotora territorial da Fundação para o Desenvolvimento em Justiça e Paz (Fundapaz), Antonella participa também da Mesa de Tierra del Salado Norte, que reúne representantes de oito organizações camponesas e indígenas distribuídas em uma área de cerca de 80 quilômetros.

Todos os meses, o grupo debate problemas de terra, água, produção, agricultura e juventude.

Antonella, assim como Xenia, integra a Plataforma Semiaridos, iniciativa formada por 16 instituições representativas de 10 países da América Latina. Ela espera que as demandas do seu povo tenham ecoado durante a COP17 e que novos espaços sejam abertos a partir do evento.

“Não gostaria que nossas lutas ficassem restritas às nossas realidades, mas que fossem captadas e ampliadas. Que pudéssemos ser capazes de incidir nas negociações que decidem o futuro de todos nós. Trazemos as vozes dos nossos territórios sem intermediários, então, seria importante que pudessem nos escutar e nos incluir nas decisões”, diz Antonella.

Seca também ameaça cultura


04/09/2026 - Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com secas e clima
Jovens e indígenas cobram respostas para além da COP da Desertificação. Na foto: Gilmer Yuimachi .  Foto: Gilmer Yuimachi/ Arquivo Pessoal

 Gilmer Yuimachi defende que os povos indígenas são guardiões dos territórios. Gilmer Yuimachi/ Arquivo Pessoal

Na Amazônia peruana, Gilmer Yuimachi observa outra dimensão da degradação ambiental. Indígena do povo shipibo-konibo, ele atua pela Associação Intercultural Bari Wesna junto a comunidades de Ucayali e de outras regiões amazônicas.

Segundo Yuimachi, períodos prolongados de seca reduzem os níveis de rios, lagos e igarapés utilizados para consumo, pesca, agricultura e criação de animais.

Alterações no regime de chuvas também prejudicam cultivos fundamentais para a alimentação das comunidades, entre eles mandioca, milho, feijão e arroz. Mas ele enfatiza que reduzir o problema a perdas econômicas seria insuficiente.

“Desde nossa experiência nos territórios indígenas da Amazônia peruana, a seca e a degradação dos solos não significam somente falta de água ou que a terra produz menos. Significam colocar em risco nossa alimentação, nossas florestas, nossos peixes, nossas plantas medicinais e também nossos conhecimentos e nossa cultura”, reflete.

Ao mesmo tempo, Yuimachi rejeita a imagem dos povos indígenas apenas como vítimas da crise ambiental.

“Não queremos ser vistos somente como comunidades vulneráveis. Somos também guardiões do território e temos conhecimentos ancestrais que podem contribuir para a restauração das florestas, a adaptação às mudanças climáticas e a recuperação de terras degradadas”.

Vozes jovens na COP

Nem todos os jovens latino-americanos que participaram da conferência em Ulaanbaatar vivem diretamente em territórios marcados pela desertificação e degradação dos solos. O que não significa que não sejam afetados por elas.

É o caso da brasileira Thaiane Maciel, 33 anos, engenheira ambiental e fundadora do Instituto Ecocria, uma organização que trabalha com educação ambiental no Rio de Janeiro. Para a engenheira, as políticas sobre a terra precisam estar conectadas a diferentes dimensões da vida.

“A questão da terra engloba tudo: a água, os sistemas alimentares, as migrações climáticas. Todos somos impactados em diferentes territórios e devemos pensar em modelos mais sustentáveis de uso do solo, como a agrofloresta”, pontua.

Thaiane participou da COP17 por meio da coalizão de juventude da convenção. Também moderou debates e trabalhou em uma iniciativa de comunicação destinada a divulgar a atuação de jovens durante as negociações.


04/09/2026 - Da Amazônia ao Chaco, América Latina tem desafios com secas e clima
Jovens e indígenas cobram respostas para além da COP da Desertificação. Na foto: Thaiane Maciel na COP 17 .  Foto: Thaiane Maciel/ Arquivo Pessoal

Thaiane Maciel lamenta que os jovens ainda sejam vistos como partes ainda em aprendizado- Thaiane Maciel/ Arquivo Pessoal

Para ela, um dos problemas desses espaços é tratar a juventude como um grupo que ainda precisa apenas aprender, e não como parte capaz de formular e executar políticas.

“Acabam tendo uma visão do jovem como estando ainda em aprendizado, quando, na verdade, a gente já está pronto. Não é que você esteja iniciando ou entrando no mercado. Muitos jovens já estão consolidados ou têm essa bagagem técnica e de vivência no território”, analisa.

Com o fim da conferência, Thaiane espera que as ações continuem para além das declarações oficiais e contemplem as necessidades mais urgentes daqueles que vivem diretamente os problemas da terra e da seca.

“O documento final muitas vezes não é o que vai ser seguido à risca, mas a conferência é muito mais do que isso. É evidenciar o que os países estão fazendo, com o que estão se comprometendo. É o momento de cobrar dos governos soluções, e de construir parcerias e projetos para os territórios”, finaliza.

*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

source
Com informações da Agência Brasil

Share. Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Email
admin
  • Website

Related Posts

Sancionado programa de incentivo à indústria nacional de fertilizantes

Setembro 5, 2026

Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

Setembro 5, 2026

TV Brasil transmite domingo decisão entre Itabirito e Minas Brasília

Setembro 5, 2026

TV Brasil transmite neste sábado decisão do Brasileirão Feminino A3

Setembro 5, 2026

Câmara aprova MP que amplia programa para diminuir fila do INSS

Setembro 5, 2026

Câmara aprova MP que acaba com a "taxa das blusinhas"

Setembro 5, 2026
Leave A Reply Cancel Reply

Editors Picks

Sancionado programa de incentivo à indústria nacional de fertilizantes

Setembro 5, 2026

‘Educando pela Cidade’ contempla 1.808 crianças em semana marcada por visita a templo, parque e estádio

Setembro 5, 2026

Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

Setembro 5, 2026

Ações de zeladoria reforçam cuidado com a cidade

Setembro 5, 2026
Advertisement
© 2026-Carioca de Suzano - Todos os direitos reservados..
  • Alto Tietê
  • Brasil
  • Mundo
  • São Paulo

Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.

imunify-bot-check
Go to mobile version